A Arte Milenar da Cutelaria

A arte da cutelaria tem ganhado cada vez mais adeptos pelo mundo. Resgatar os valores de paciência e perfeição ao se malhar o ferro até obter uma peça que carrega toda a força empregada em seu feitio é desejado por muitos puristas e consumidores que esperam ter produtos com muito personalidade e valor. Programas de TV e artesãos descobriram este filão. E o mais interessante é que malhar o ferro não é uma realidade muito distante de nós. Pelo contrário, tal habilidade está forjada no nosso DNA.

Desde que o Homem descobriu como trabalhar o ferro, aproximadamente a 1200 anos A.C. a profissão do ferreiro é coberta de mistério e misticismos. Dobrar algo que é mais forte que o Homem era tarefa para feiticeiros, pensavam.

Na pintura de Rubens Vulcano, o Raio de Júpiter [Zeus da mitologia grega] sendo forjado.

Ferreiro forjando os raios de jupter

Mas já se malhava metal bem antes disso. O cobre, primeiro metal dominado pelo Homem já era conhecido a pelo menos 4500 anos A.C.

Para aqueles povos , o metal vinha como solução para poder construir armas e ter mais êxito na caçada e na defesa do território, produzir objetos sacros e posteriormente, adornos.

artefatos de batalha da idade do Bronze
University of Göttingen

Temos visto muitos artesãos, que em seu tempo livre acabam por criar um negócio lucrativo criando peças magníficas, enviando-as para todos os cantos do mundo. É o caso do Daniel Gontijo, que faz sucesso internacional com as facas ORK

Se você está buscando algo assim, usar seu espaço para conseguir uma renda extra ou até, fazer disto sua renda principal, aproveite agora o momento. Muitos cursos estão pipocando por aí, e fazer um é essencial neste ramos cheio de segredos.

Um dos mais renomados é o do curso do professor Berardo. O Professor Berardo, Possui o Master Smith pela American Bladesmith Society e Mestre Cuteleiro pela Confederação Italiana de Cutelaria. As duas mais cobiçadas Certificações Internacionais da Cutelaria Mundial.

ferreiro nos tempos modernos

Já com mais de 400 alunos cuteleiros, hoje o seu objetivo é ajudar a aumentar o nível e a qualidade da cutelaria. veja o curso

Fique ligado nos próximos artigos, iremos trazer mais dicas de autoprodução para você poder aumentar sua renda de forma criativa!

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livro acerto em frente estante

5 livros para entender Design

É normal ficar perdido quando o assunto é Design. São tanto caminhos e problemas que esta profissão se envolve que as vezes é necessário parar e voltar ao básico. Excelente oportunidade para quem está curioso para conhecer um pouco mais sobre o tema. Seguem livros introdutórios, onde realmente você não precisa ser da área para entender e de divertir.

#1-A Empresa Orientada Pelo Design – Marty Neumeier

Livro sobre as vantagens de utilizar o Design na administração de empresas

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Marty Neumeier consegue comunicar o que qualquer design sabe tacitamente fazer. O diferencial do livro é o senso de urgência que ele consegue imprimir a qualquer líder de empresa. Inove pelo design ou seja mais um liderando sua empresa por meio de soluções existentes com problemas também existentes que não criam valor real ao consumidor e usuário final. Se sua empresa quer oferecer um diferencial que coloque sua empresa a frente da concorrência então inove. Não sabe como começar, o livro dá ótimos motivos para você deixar suas preocupações de lado e partir para incorporação do design thinking à cultura organizacional da sua empresa.

#2-Design Emocional – Donald A. Norman

quais as potencialidades do design

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Partindo do princípio dos três tipos de design – o visceral, o comportamental e o reflexivo -, o Donald A. Norman define o que é o ‘Design emocional’ – que intitula o livro -, estética que nos repulsa ou atrai a determinado produto. Utilizando exemplos que fazem parte do dia-a-dia da maioria das pessoas, como a interação com computadores, a produção e o uso de fotografias e os objetos comprados em viagens, o autor explora a grande dúvida que aflige as pessoas – saber se as coisas bonitas realmente funcionam melhor do que as feias.

#3-Design para o mundo real – Victor Papanek

Victor Papanek

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Difícil de encontrar em português. Talvêz se encontre a sua versão em espanhol, mas este livro de Victor Papanek, desde que apareceu a 25 anos atrás, se tornou um clássico. É o livro mais lido hoje em dia sobre design. Victor examina as tentativas do design combater a mediocridade, insegurança, falta de utilidade das coisas, mas propondo o necessário para a sensibilidade e responsabilidade para o projeto de design.

#4-Design Thinking – Tim Brown
Livro essencial sobre o design praticado nos escritorios da IDEO

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Este livro introduz a ideia de Design Thinking, um processo colaborativo que usa a sensibilidade e a técnica criativa para suprir as necessidades das pessoas não só com o que é tecnicamente visível, mas com uma estratégia de negócios viável.
Em resumo, o Design Thinking converte necessidade em demanda.

É uma abordagem centrada no aspecto humano destinada a resolver problemas e ajudar pessoas e organizações a serem mais inovadoras e criativas.
Escrito numa linguagem leve e embasada, este não é um livro de designers para designers, e sim uma obra para líderes criativos que estão sempre em busca de alternativas viáveis, tanto funcional quanto financeiramente, para os negócios e para a sociedade.

Neste livro, Tim Brown, CEO da celebrada empresa de inovação e design IDEO, nos apresenta o design thinking.
O design não se limita a criar objetos elegantes ou embelezar o mundo a nosso redor.
Os melhores designers compatibilizam a exigência com a utilidade, as restrições com a possibilidade e a necessidade com a demanda.

#5-Design do dia-a-dia – Donald A. Norman
Livro classico para os estudantes de design

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Por que alguns produtos satisfazem os consumidores, enquanto outros os deixam completamente frustrados? Em O design do dia a dia, o especialista em usabilidade Donald A. Norman analisa profundamente essa questão, mostrando que a dificuldade em manipular certos produtos e entender seu funcionamento não é causada pela incapacidade do usuário, mas sim por uma falha no design do que foi fabricado. Para o autor, design é mais do que dar uma bela aparência a alguma coisa: é um ato de comunicação, que transmite a essência da operação do objeto e implica o conhecimento do público para o qual ele foi criado. Ao longo dos capítulos, Donald A. Norman dá exemplos de produtos adequados e inadequados, além de mostrar de que forma o excesso de tecnologia pode comprometer a facilidade de utilização do que foi fabricado. Ele também ressalta a importância do poder de observação. Sabendo olhar com atenção a si mesma e aos outros, cada pessoa se torna capaz de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população em geral. Um observador cuidadoso consegue identificar as falhas de cada artigo ou serviço e apontar possíveis soluções para os problemas. Segundo o autor, um bom design reúne prazer estético, arte e criatividade, sem deixar de ser fácil de operar e de usar. As dicas, análises e considerações reunidas em O design do dia a dia tornam sua leitura interessante não só para quem trabalha com a fabricação de produtos, mas para todos nós, que diariamente temos que lidar com as engenhocas criadas por nossos semelhantes.

Criando a identidade visual do seu negócio

Um dos mais importantes meios de estreitar a relação com seu cliente é por meio da identidade visual do seu negócio. Identidade visual é comunicação direta. Normalmente a primeira impressão que seu cliente tem de você é por meio dos estímulos visuais e isso se reflete até no pós venda quando o cliente retorna a suas mídias sociais ou reconhece sua marca e se sente familiarizado em diversas outras situações. É uma estratégia de fidelização, mas muito mais de clareza da comunicação de sua marca.

Para que você entenda um pouco mais do trabalho de criação de uma identidade visual, assista ao documentário abaixo, uma entrevista com o Designer Alexandre Wollner, responsável pela marcas mais conhecidas do Brasil. Seria coincidência?

esboço sketch de um carro compacto urbano

Como Assim, Design?

O que é design? Como estudante de design, esta é uma pergunta que escuto com frequência, e tenho certeza você já se fez.

Não se engane pelo tamanho da palavra. Design não é tão simples de explicar. Para começar, design é uma palavra que não tem tradução direta para o português. Não, design não significa desenho. A origem desta palavra tem relação com ‘significado’ (Sign, em inglês) algo mais como ‘designar’, ‘dar significado’.

Já é um conceito interessante e revelador, até filosófico, mas neste momento gostaria de permanecer na camada mais prática, que venha a lhe dar uma boa idéia de por que cargas d’agua o nome deste profissional, dia ou outro, aparecerá rondando seu negócio.

Grandes empresas já consideram seus departamentos de design como estratégicos. O designer utiliza de criatividade e outras ferramentas para lidar com o projeto das coisas e serviços que usamos e interagimos todos os dias. Ele concebe significados, usos, funções e até a forma estética de objetos.

A placa de trânsito, eletrônicos, o sapato em seus pés, e até o fluxo de atendimento no seu banco. Todas estas coisas tem em comum um aspecto: Foram feitas para se relacionar com pessoas. E você interage com elas, por bem ou por mau. Durante nosso dia nos relacionamos com objetos e serviços de toda natureza. Alguns nos ajudam muito, outros nem tanto. E podemos dizer sem exageros que nossas melhores experiências de uso são na verdade fruto de bons projetos de design. Quando este sucesso é obtido de forma intencional, sabemos que se valeram de uma das mais importantes características do processo de design: A empatia – se colocar no lugar do outro.

IDEO MOUSE

Aqui sem demagogias, trata-se da capacidade do projetista vestir-se na pele do outro para enxergar as suas necessidades que direcionam e motivam o projeto. A empatia é a meu ver a “pedra filosofal” do designer. É uma habilidade que dificilmente nasce pronta no indivíduo, pois é diferente daquela empatia, virtude da alma, que desejamos a todos os seres humanos. Estamos falando de uma mistura de competências técnicas, capacidade de observação, experiência e repertório, que pelo trabalho do designer, transformam aquilo que seria um mero objeto, em um canal de comunicação com outra pessoa. Este é o diferencial deste profissional, que projeta observando aspectos culturais, ergonômicos, psicológicos, normativos, para obter a melhor conexão com o usuário.

Quando o design surgiu, veio resolver uma necessidade industrial de fabricação de objetos, uma demanda cada vez maior e desafiadora. Mas sempre surgem problemas novos. Hoje departamentos de design são considerados estratégicos. Já vemos designers auxiliando departamentos a aplicarem ações dentro de grandes empresas.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Isto se deve a percepção que o método de solução de problemas que este profissional domina, pode ser empregado a outros campos do conhecimento. Por este motivo empresas que buscam inovação e processos melhores, empregam designers em diversas áreas do seu negócio, por reconhecer que este pode auxiliar principalmente no projeto de experiências melhores tanto para os clientes externos como para os internos.

O que achou? Nos próximos artigos pretendo detalhar melhor o trabalho do designer. Gostaria de conhecer melhor algum aspecto? Deixe nos comentários!

aprenda como projetar caixas de som

Como fazer caixas de som

Aprenda como fazer Caixas de som

Olá. Provavelmente você já viu este material ensinando a construir caixas de som pela internet. Trata-se de uma apostila, que eu, Ademir Ferreira escrevi a alguns anos, mas que pessoas vem distribuindo e vendendo indevidamente um material já antigo e desatualizado.

Este capítulo é parte do curso “Como Projetar Caixas de Som”. clique aqui para ver o curso completo

O que tem de diferente agora?

Compartilhe este material! Este material é gratuito, portanto você não deve compra-lo de nenhum vendedor do mercadolivre ou outros sites que estão pirateando.  Os materiais que comercializamos estão disponíveis apenas em nosso canais:

perfil.mercadolivre.com.br/ECOPROJETOS_DESIGN

Ecoprojetos.com

Introdução – Faça você mesmo: caixas acústicas de qualidade Superior

Faça caixas seladas, caixas dutadas (Bass reflex), subwoofers, som para carro, som para festas, sonorização de igrejas, etc.

Imagem das caixas de som construidas com compensado navalSe você já está lendo esta introdução é porque certamente tem curiosidade e se interessa por áudio e caixas acústicas. Desta forma acredito que também já imaginou porque certas caixas acústicas são tão caras, enquanto outras são feitas sem o menor critério nos fundos de uma loja de instalação de acessórios automotivos e o instalador garante que aquela caixa tem qualidade indiscutível. Será que seria somente questão de marca, ou realmente existe um trabalho sério de projeto que resulta em uma qualidade que compense o preço? Será que o tamanho e formato da caixa são importantes? Será que um alto falante de 10 polegadas da marca X pode funcionar na mesma caixa onde estava instalado um alto falante também de 10 polegadas de marca Y? Qual a potência que posso colocar sem estragar o alto falante? O tipo da madeira é importante?

Estas são perguntas freqüentes que fazem com que quem vai construir uma caixa se sinta meio perdido. Nesta apostila vamos ver que realmente há muitas considerações a se levar em conta para o projeto de uma caixa acústica.

Através de informações o mais claras possíveis, cálculos comentados, exemplos de projetos e referências bibliográficas, procuro apontar o melhor caminho para que você aprenda a projetar qualquer tipo de caixa: Dutadas, seladas e bazoocas para o carro, subwoofers, domésticas, HI-FI, guitarra, palco etc.

 

 

O que é caixa acústica? Para que serve?

 

Uma caixa acústica trata-se de um recinto com certas propriedades definidas de modo a condicionar as ondas sonoras produzidas pelo alto-falante. Mais a frente veremos que a caixa isola em seu interior ondas sonoras que poderiam interferir descontroladamente no funcionamento do alto-falante. Posteriormente, o correto cálculo da caixa pode utilizar-se destas ondas beneficamente ao invés de desperdiça-las no interior da caixa. Tenho ainda que ressaltar que se o cálculo incorreto da caixa pode provocar também distorções no som e não dificilmente danos ao alto-falante.

 

 

O som e suas propriedades

O som e suas propriedades

Este capítulo é parte do curso “Como Projetar Caixas de Som”. clique aqui para ver o curso completo

Como aprendemos na escola, o som é uma onda, vibração, que se propaga somente por meios materiais, por exemplo madeira, aço, água e também pelo ar. Sua velocidade de propagação no ar é de aproximadamente 340 metros por segundo na temperatura de 20ºC. Isto é, 1220Km/h! Isso se dá através de ondas de pressão e descompressão que se dispersam pelo ambiente a partir da fonte, crescendo em formato de esfera. Analogamente a representação em duas dimensões seria como uma onda se propagando na superfície da água, visto de cima.

 

croqui representando a propagação da onda sonora

 

Diagrama esquematico mostrando o comportamento de uma onda sonorainfografico mostrando o som sendo absorvidoDependendo das propriedades da onda e dos objetos que ele encontrar pelo caminho, o som pode ser refletido, desviado ou absorvido. Você pode inclusive fazer estas experiências na água, colocando alguns objetos no caminho das ondas e observando como elas se comportam. Estas propriedades básicas deverão ser levadas em conta no projeto de qualquer instrumento musical, e isto inclui nossas caixa acústicas. Tudo isso faz do som uma matéria complexa e que apresenta uma gama muito grande de variantes. Tome como exemplo a musica. Nunca soa igual em cada canto deste mundo. Nos causa sensações diferentes dependendo do instrumento que ouvimos, ambiente em que estamos, etc. Podemos logo perceber que cada instrumento tem seu som característico, sua intensidade e tom.

 

 

 

Intensidade, timbre, freqüência, freqüência audível

Quando analisamos uma onda sonora captada por um microfone por exemplo, é mais ou menos como na figura abaixo que a vemos:

Grafico da função seno mostrando periodo e amplitude

Forma de onda senoidal

 

No sentido horizontal do pequeno gráfico, corre o tempo, a medida que o tempo passa podemos ver no sentido vertical como varia a intensidade do som. Ainda nesta figura existe uma segunda informação sobre esta onda. É o seu formato. A forma da onda define o timbre do som que estamos ouvindo. Por exemplo, o formato da onda acima poderia ser o som de um diapasão, que gera ondas de formato senoidal. Seriam muito diferentes os formatos de ondas do som de um saxofone ou de um violino, ou até da voz de pessoas diferentes.

A amplitude define a intensidade do som, o período, que é o tempo que dura uma oscilação, define e freqüência (Freq = 1/período), que por sua vez define as notas musicais e a diferenciação grave-agudo.

Variações nestes parâmetros: timbre, intensidade, freqüência  tornam possíveis toda a gama de sons que ouvimos no dia-a -dia. Vamos tomar como exemplo a música clássica. Sabemos claramente a diferença entre os sons de uma harpa e de um violino, mesmo que estejam tocando a mesma nota na mesma intensidade. Isto porque o timbre dos dois é bastante distinto.

 

grafico mostrando forma de onda do violino e da harpa

de forma ilustrativa, formas de onda (timbre) entre violino e uma harpa

 

 

Quanto a intensidade, tem relação com quão forte ouvimos um som. Cabe aqui uma atenção especial. O correto entendimento de como percebemos variações de intensidade é de muito importância para nós.

A unidade de medida de intensidade sonora é o decibel, ou seja 1/10 do Bel. Esta unidade foi criada para se tratar diferenças entre grandezas como voltagem, corrente, potência etc. A razão principal para a criação desta unidade foi que por se tratar de uma escala logarítmica, pode-se comparar e trabalhar intensidades de sinal muito pequenas com outras muito grandes. Como se não bastasse, nossa audição também reage a estímulos de forma logarítmica, de modo que o decibel torna-se uma unidade que se casa perfeitamente com nossa necessidade.

grafico que mostra que nossa audição também reage a estímulos de forma logarítmica

nossa audição reage a estímulos de forma logarítmica

 

É fácil entender porque percebemos sons em escala logarítmica. Veja na figura acima que se a escala fosse linear (vermelha), teríamos muita dificuldades de ouvir sons fracos, como um sussurro, mas se alguém estourasse uma bombinha perto de nós, pensaríamos que se tratava do fim do mundo. Já a escala logarítmica (azul), devido a sua acentuada curvatura no início da escala, permite que sons muito fracos sejam percebidos e sons quando cada vez mais fortes, vão sendo comprimidos em um limite superior da escala. Por este motivo, as vezes não acreditamos que um som está alto demais, a partir de certo ponto não percebemos tão bem as diferenças de amplitude.

O decibel é definido como uma razão logarítmica:

 

dB = 10 x log(P1/P0)

 

Onde P0 é uma potência de referência e P1 é a nova potência. Por exemplo, a diferença em dB que consigo quando injeto 100W em uma caixa que antes tocava com 50W é:

 

10 x log(100/50) = 10 x log(2) = 3dB

 

logo, se antes a caixa tocava 110dB a 50W, agora toca 113dB a 100W

na prática, quando se dobra a potência o nível em dB cresce tres unidades.

 

A menor variação de intensidade sonora que podemos detectar é 1dB, mas na prática, devido a diferenças fisiológicas entre as pessoas, a média corresponde a 3dB.

A intensidade sonora ou SPL, do inglês “Sound Pressure Level”,  também varia com a distância, por isso sempre que especificar uma caixa ou alto-falante, deve-se dizer a que distância o som foi medido, para que sirva como comparação válida.

 

A fórmula é parecida com a anterior. Para avaliar o SPL em função da distância, troca-se a potências pelas distâncias de referência (d0) e nova distância (d1):

 

dB = 20 x log(d1/d0)

 

Você perceberá que na prática o SPL cai seis unidades a medida que se dobra a distância de audição

 

 

Níveis de pressão sonora de alguns sons:

 

Nível dB Som característico
0-10 Limite da audibilidade
20-30 Dentro de casa à madrugada em bairro tranqüilo
30-40 Sussurro a 1,5metros
40-50 Sons normais dentro de uma residência
50-60 conversa normal entre duas pessoas
70-80 Nível ótimo de conversação para máxima inteligibilidade
80 a 110 – nocivo aos ouvidos se exposto por longos períodos
80-85 Dentro de um carro esporte a 80Km/h
80-90 Perfuratriz pneumática a 15m
90-100 Ruídos dentro de uma indústria
100-110
Fones de ouvido em volume max.
>110 – Dano auditivo permanente
110-120 Show de rock em locais fechados
Limiar do desconforto
120-130 Decolagem de avião a jato a 50m
Limiar da dor auditiva
130-140 Sirene antiaérea a 30m
Continua até 200 (aprox o  limite)

 

 

Ouvir música em volumes muito altos acaba provocando desconforto e cansaço mesmo que antes dos 100dB. O volume ideal para se ouvir música de forma prolongada e sem que provoque desconforto ou dores de cabeça é em torno de 65dB.

Outro ponto importante que não pode passar batido é com relação à gama de freqüências que podemos ouvir. O ser humano jovem consegue ouvir sons entre 20Hz e 20000Hz. Se forem tocados uma série de sons de 20Hz a 20KHz, todos de mesma intensidade e timbre, vamos perceber que certas faixas ouvimos melhor do que outras. Por exemplo, ouvimos muito bem os tons compreendidos entre 200 e 9000Hz, coincidentemente(?!), a voz humana encontra-se dentro desta faixa.

É muito importante ter conhecimento da faixa de freqüência que queremos reproduzir com uma caixa. Nosso desafio aqui será principalmente com as baixas freqüências. Você poderá ter mais noção disto observando uma curva de resposta de uma caixa acústica:

 

 

 

 

 

 

grafico que denota a resposta de frequencia de uma caixa de som

ploter de resposta de frequencia caixa de som

Este gráfico trata da resposta de freqüência de uma caixa tipo monitor de estúdio de gravação. É nela que os músicos conferem o resultado do que acabaram de gravar, portanto, ela deve atender certos requisitos de qualidade. O primeiro deles é quanto a resposta de freqüências, mais especificamente a planicidade da resposta.  É a faixa de freqüências que a caixa consegue tocar com qualidade. Para se levantar dados para esta curva, faz-se com que um aparelho gerador de sinais de referência, produza uma varredura de freqüências de intensidade constante, que começa antes de 20Hz e vai até depois de 20KHz . Com um microfone capta-se o som da caixa e a intensidade é registrada para cada freqüência.

Repare que a curva torna-se plana a partir de 100Hz (apesar das pequenas irregularidades, considera-se plana) e permanece assim até 20KHz. Esta planicidade é importante pois garante que todos os sons compreendidos dentro desta faixa serão reproduzidos na mesma proporção com que foram gravados. Note que abaixo de 100Hz, a intensidade dos sons da caixa cai quase que linearmente. Isto é perfeitamente normal, depende do conjunto falante-caixa. Como é padrão considerar uma tolerância de +/-3dB, pode-se dizer que esta caixa toca de 70Hz a 20KHz a +/-3db. Este rendimento corresponde a quase todas as caixas de conjunto mini-system do mercado.  Porém estas possuem outras características de menor qualidade que um monitor de estúdio.

 

Sejamos francos, qualquer alto falante, em qualquer caixa, vai gerar som quando for ligado a um aparelho apropriado. De fato tocará música e provavelmente entenderíamos todas as palavras que o cantor dissesse. Então você deve estar se perguntando: Para que então tanta ladainha? vamos logo construir esta caixa!

Calma que eu explico:

Um alto falante trata-se de um aparelho que retém em si conceitos de engenharia e conhecimentos muito avançados. Um projeto de um alto falante, pode demandar de meses a anos de trabalho, dependendo do grau tecnológico da empresa. Durante este período são estudadas as maneiras para que este componente de mecânica fina reproduza o mais fielmente possível a peça musical tal como ela fora executada no ato da gravação. Deve-se considerar ainda que o principal ator neste processo é o ar e que este altera drasticamente suas propriedades de acordo com a temperatura, pressão, umidade etc. Imagine o esforço dos engenheiros em imaginar um modo de driblar estas variáveis para que o resultado final seja aproximadamente o mesmo independente das condições do ambiente. Durante sua produção, todo o processo é controlado nos mínimos detalhes para que cada peça fabricada seja igual a seguinte, com exatidão de até tres casas decimais. Sendo assim não podemos pegar um alto falante novinho e instala-lo em qualquer caixa, provavelmente estaríamos jogando por água abaixo todo o trabalho daquelas pessoas. O fabricante não está  “nem aí” porque o preço salgado que você pagou pelo falante acaba garantindo o salário deles. Mas o pior nesta história é que você acaba comprando um ótimo produto, mas por colocar em uma caixa não adequada, este acaba por não render como você esperava e a sensação é de que é você que está jogando fora o dinheiro. Pergunte para quem trabalha com campeonatos de intensidade sonora, qual a importância de cálculos precisos. Verá a preocupação que eles tem em extrair o máximo dos alto falantes, o que nem sempre se resume a colocar mais potência, mas sim um projeto de caixa mais preciso.

Se a preocupação for com qualidade de reprodução, aí você realmente terá que executar um trabalho que com certeza deixaria os engenheiros muito felizes. Isto porque estes veriam seu alto falante realizando exatamente o trabalho para o qual fora projetado, que é de tocar com qualidade e planicidade em toda sua faixa de trabalho. E fatalmente isto só é conseguido por poucas caixas (para não falar uma caixa)  dentro de uma infinidade de modelos em que você poderia colocar o seu falante.

Por estas e outras que o leitor compreenderá de agora para frente a importância dos cálculos das caixas acústicas, porque como o próprio título diz, queremos aqui aprender a construir caixas de qualidade superior!

Varios tipos de alto falantes

Conhecendo os tipos de alto falantes

Tipos de alto falantes

Este capítulo é parte do curso “Como Projetar Caixas de Som”. clique aqui para ver o curso completo

O primeiro conceito que devemos ter de um alto-falante é que trata-se de um transdutor, ou seja, transforma um tipo de energia (elétrica) em outro (mecânica). É um sistema oscilante onde existe uma massa, representada por todo conjunto móvel, e um efeito de mola e amortecimento provocado tanto pela borda e centragem quanto pelas massas de ar que o cone movimenta.

Imagem de um alto falante de pequenas dimensões

Woofer de 4 polegadas eastech

O movimento do cone do alto falante baseia-se normalmente na força magnética. A interação entre o campo do ima e o campo magnético gerado pela bobina quando esta é percorrida por corrente, cria a força necessária ao seu movimento. A bobina está rigidamente ligada ao cone e este se movimenta para frente e para trás juntamente com a bobina. O cone deve ser rígido o suficiente para que não se deforme em grandes oscilações. Por isto, hoje em dia se constróem cones não só em papel resinado, mas em plástico, fibra de carbono , kevlar, e até cerâmica. O chassi do alto falante garante que sua geometria não se altere e deve ser o mais rígido possível. A função da borda e da aranha é somente garantir que o movimento seja só de “vai-e-vem”, com todo o conjunto sempre centrado.

Como todo corpo com massa, o cone do alto-falante também possui inércia, que devido ao seu tamanho e constantes de mola de sua estrutura vibrante, vai definir sua faixa de freqüência. Deste modo é quase impossível que um alto falante consiga reproduzir toda faixa audível. Comumente, cada tipo de alto-falante consegue reproduzir apenas uma pequena faixa:

 

  • Woofer – reproduz sons graves entre 50 e 3000Hz. Possui um conjunto móvel pesado, grandes dimensões e grande excursão do cone. O cone é rígido e não permite que seja deformado pelas as altas potências. Deve-se mover como uma superfície firme. A sua bobina deve ter capacidade de dissipar altas potências.
  • O sub-woofer é um tipo especial de woofer, otimizado para reproduzir graves entre 20 e 150Hz.
  • O alto-falante de médios, antigamente chamado de squarker, vai reproduzir a faixa compreendida entre 500 e 5000Hz. Hoje em dia em sistemas profissionais para palco, utiliza-se cornetas, mid-ranges ou woofers que consigam reproduzir até +/-5000Hz

 

corneta de médios

 

 

  • Tweeter – reproduz os agudos acima de 5000Hz. Tem particularidades interessantes, a começar do seu tamanho, muito inferior aos anteriores, devido a maior eficiência da reprodução de agudos e ao fato destes serem direcionais, ou seja são emitidos em uma única direção. Por isso os bons tweeters possuem não um cone, mas apenas uma calota esférica protuberante para ajudar a dispersar os agudos pelo ambiente, veja a figura:

Tweeter de domo

 

Normalmente estes modelos são caríssimos. Para uso em trio elétrico automotivo e uso geral utiliza-se os modelos profissionais, piezoelétricos ou os de cone de papel, que são mais simples e baratos.

Os tweeters são muito importantes em sistemas estéreo, pois são os sons agudos e médios responsáveis pela formação da imagem estéreo (veja ref. 3 e link 30). Para isso tweeters pertencentes a canais diferentes devem ser instalados o mais distante possível um do outro. Na verdade é ideal que a distância entre os tweeters e a cabeça do ouvinte forme um triângulo equilátero para a maior apreciação dos efeitos estéreo. Pelo fato dos sons agudos serem tão direcionais, qualquer obstáculo entre o ouvinte e o falante de médios/agudos causa interferências. Até mesmo telas. Por outro lado, os sons graves abaixo de 150Hz são tão difusos que em nada contribuem para o som estereofônico, de modo que apenas um subwoofer pode ser usado para suprir a falta das baixas freqüências, não importando nem a posição dele no ambiente.

Imagem de um alto falante de pequenas dimensões

Os parâmetros do alto falante – parâmetros Thiele-Small

Dados importantes dos alto-falantes – parâmetros Thielle-Small

Este capítulo é parte do curso “Como Projetar Caixas de Som”. clique aqui para ver o curso completo

 

 

Entrar em detalhes de como acorre a interação entre alto-falante, ar e caixa está fora da finalidade desta apostila. Este trabalho já fora traçado em 1961 por dois pesquisadores  australianos: Neville Thielle e Richard Small.

Neville Thielle foi o pioneiro no estudo de caixas acústicas “Bass Reflex”, aquelas que possuem um duto de sintonia. Seus trabalhos visavam encontrar um método para a correta determinação do volume da caixa e sua freqüência de ressonância em função das características dos alto-falantes. Richard Small veio logo depois e ampliou os trabalhos de Thielle. Como resultado, nasceu uma padronização para a fabricação e medida de parâmetros de alto falantes e caixas acústicas, uma série de constantes conhecidas como parâmetros Thielle-Small.

Os parâmetros Thielle-Small são constantes específicas de cada alto falante, São as características mecânicas e elétricas de determinado transdutor reduzidas a números.

Estes parâmetros são os dados de entrada para os cálculos de nossas caixas e muita atenção será necessária pois um cálculo descuidado não só irá contribuir para uma qualidade chula mas também é possível que se cause danos aos alto-falantes. E a última coisa que queríamos ver é um alto falante novinho passar a “arranhar” tornando impossível a audição. Este acidente em especial se dá normalmente por sobre-excursão do cone do alto falante. Este literalmente “soca” sua bobina no fundo do conjunto magnético e a empena. Muitos acham bonito ver uma caixa que tenha um alto falante fazendo movimentos exagerados, mas o fato é que a caixa do dito cujo foi projetada com deficiência. Nas baixas freqüências, mesmo aplicando potências muito inferiores a suportada pelo alto-falante, ocorrem movimentos vigorosos e a bobina pode bater com força no fundo do conjunto magnético. Nem sempre isto pode ser evitado, sendo necessário adicionar um filtro que proteja o equipamento das freqüências muito baixas.

 

Parâmetros de alto Falantes e caixas:

 

Fs: Freqüência de oscilação natural (ressonância) do falante ao ar livre

 

Qes: Fator de perdas de eficiência do alto-falante ao ar livre, considerando apenas perdas elétricas.

 

Qms: idem, considerando perdas mecânicas.

 

Qts: Fator de qualidade total do alto falante, inclui parcelas de perdas elétricas e mecânicas.

 

Vas: volume equivalente, pode ser entendido como o volume de ar que oferece a mesma resistência ao movimento do cone (complitância acústica) que a sua suspensão ou borda

 

No: Rendimento do alto-falante

 

Xmax: excursão máxima do cone em uma direção, para que a bobina permaneça dentro do campo magnético uniforme do ima. Este não é o limite mecânico, se ultrapassar xmax irão ocorrer distorções no som devido a não-linearidade do campo magnético, mas isto não danificará o falante.

 

Vd: Volume de ar deslocado pelo alto falante quando se movimenta dentro dos limites de Xmax.

 

BL: densidade de fluxo magnético no gap, multiplicado pelo comprimento de bobina percorrido por este fluxo.

 

Sd: Área efetiva do cone do alto-falante

 

Re: Resistência da bobina em corrente contínua, é dada em ohms assim como a impedância, mas não é igual

 

Le: indutância da bobina medida em mH (milihenries)

 

Z: impedância. Resistência da bobina a passagem de corrente alternada. Varia conforme a freqüência, portanto este é o menor valor assumido.  (medido em Ohms).

 

PE: Potência elétrica suportada pela bobina do alto falante, dada em Watts

 

SPL: Sound pressure level – nível de pressão ou intensidade sonora, medido em dB. Refere-se também a eficiência do falante, quando medida a 1m de distância, sendo aplicado 1W.

 

Vb: Volume interno de uma caixa , em litros

 

Fb: Freqüência de ressonância do sistema caixa+duto. Também conhecida como freqüência de sintonia do duto.

 

Fc: Freqüência de ressonância de um sistema de caixa selada.

 

F3: Freqüência da qual a intensidade sonora cai para a metade da intensidade de referência, isto é, freqüência onde a intensidade cai -3dB

 

Qtc: Eficiência de um sistema de caixa selada, na freqüência de ressonância. 0,71 é o valor que proporciona a resposta mais plana, porém, e mais comum é usar valores entre 0,9 e 1 devido ao reforço nos graves obtido.

 

Não se preocupe em decorar nada, No momento em que estes parâmetros forem necessários nos cálculos, basta voltar no texto e relembrar.

O som e suas propriedades

7 dicas para escolher um bom alto falante para fazer uma caixa de som

O mercado de som automotivo

O mercado de alto falantes hoje em dia é um “campo minado”. Se você procurar um pouco, poderá encontrar muita coisa boa, mas duvido que não vá esbarrar em muita “bomba” que tem por aí. Fabricantes abusam da publicidade e pecam na qualidade final. Falantes coloridos, que brilham, cromados etc. Nem sempre estes adereços contribuem para a qualidade da reprodução.

Como o foco da atenção dos fabricantes está sobre o mercado automotivo e profissional, fica difícil encontrar alto-falantes pequenos destinados a outras aplicações que requerem mais qualidade. O pessoal que gosta de som residencial e hi-fi acabou prejudicado, pois nas lojas só se encontram os equipamentos automotivos, que possuem parâmetros e até formatos otimizados para serem aplicados em veículos e os profissionais, que esbanjam robustez, mas normalmente são grandes e superdimensionados para nossas aplicações.

A solução recai sobre os importados. Isto não quer dizer que você não pode usar um falante automotivo para fazer uma caixa para seu Home Theater, é na hora dos cálculos que você começara a ver grandes diferenças que irão definir sua escolha.

Como escolher um bom alto falante?

Com um pouco de vivência com os parâmetros técnicos dos alto-falantes logo você estará conseguindo separar as razões.

  1. De início, comece a desconfiar daquelas marcas que apresentam valores de potências absurdos. Podem estar informando potencia PMPO, que não há padrão.
  2. Não escolha alto-falantes de imas pequenos e bordas estreitas para caixas de sub-graves. Subwoofers possuem bordas largas para permitir grande movimento do cone do alto falante .
  3. Evite falantes de QTS alto (>0,5) quando você estiver querendo sistemas compactos.
  4. Visualmente, o falante que lhe proporciona bom rendimento em caixas sub-graves compactas é o de ima grande (QTS baixo), borda larga e macia (baixa complitância = VAS baixo) e cone robusto.
  5. É muito importante observar a qualidade e rigidez do cone, bem como a qualidade das bordas e colagens.
  6. Observe sempre a sensibilidade do falante (SPL). Deve estar especificada em dB W/m. Isto quer dizer que um alto falante de SPL=93dB W/m, ligado a um amplificador de 250W toca igual a outro de 90dB W/m ligado a um sistema de 500W (lembre-se que ao dobrar a potência, você está aumentando a sensibilidade em apenas 3dB ( ref. 2).
  7. Baseie-se também pelos anúncios e catálogos de fabricantes que já atuam a algum tempo com sucesso no ramo de sonorização profissional e hi-fi. Isto porque equipamentos de má qualidade não sobrevivem nestes mercados e provavelmente a mesma tecnologia será utilizada em seus demais produtos.

Quer entender mais? Este texto é parte do curso “Como Projetar Caixas de Som”. clique aqui para ver o curso completo

Grafico da função seno mostrando periodo e amplitude

Sobre potência RMS e potência PMPO

O que é potencia Rms? o que é potencia Pmpo?

Ao selecionar um alto falante para sua caixa de som, lembre-se, não existe alto falante “com potência de X watts”. Alto falante é um componente passivo, que transforma energia. Na verdade, um alto falante de 120W RMS suporta eletricamente 120W sem queimar, porém se for ligado em um amplificador de 50W, tocará igual a outro alto-falante com mesmos parametros e menor potência. Isto sem contar que tem muita perda no caminho antes de virar som. O fabricante que apresenta como primeiro dado de seu alto-falante o valor da potência, quer lhe impressionar apenas.

Com relação aos valores de potência, o leitor já deve ter se deparado com números assustadores e não coerentes. Por exemplo, um aparelho tres-em-um  a venda no supermercado tem uma etiqueta que diz possuir 4000 Watts de potência. Óbvio que esta informação não é real. Isso seria admitir que este aparelho consome tanta energia quanto meu chuveiro elétrico. O que acontece nestes casos é a unidade de medida que o fabricante utilizou. Na maioria das vezes, potência PMPO, ou seja, uma forma de medir a potência máxima que o aparelho pode gerar, mesmo que seja por um instante mínimo de tempo, até menor que centésimos de segundo. Como não há padronização para esta medida, o fabricante “inventa” como ele quiser a maneira que vai utilizar para fazer a medição da potência PMPO. Isto trata-se de uma jogada de “marketing”. Tanto é que basta reparar: a potência dos novos aparelhos aumenta espantosamente enquanto estes continuam diminuindo de tamanho. Ora então porque os amplificadores para shows raramente passam dos 4000W e continuam tão grandes? – vai entender!

Qual a potência do alto falante que devo considerar?

A medição de potência padronizada pela ABNT é a que vale. Medida em um período de tempo padronizado onde se possa definir a potência média que foi trabalhada pelo aparelho sem que ocorra sua queima. Esta é a potência RMS ou conhecida como  potência real média, esta serve como parâmetro de comparação e deve vir sempre especificada pelo menos no manual do fabricante. Já me deparei com aparelhos que anunciavam 400W na frente de seu painel, mas no manual estava especificada a potência RMS de míseros 6W por canal. Este mesmo raciocínio vale para alto falantes. Nossa referência é potência RMS.

O projeto da caixa de som pode influenciar

Ainda temos um agravante: A potência RMS é a que o alto falante suporta eletricamente. Na maioria das vezes o limite mecânico imposto pelo Xmax ocorre em potências muito inferiores a suportada pelo alto-falante. Isto depende do projeto da caixa e da faixa em que ela irá trabalhar, por isso torna-se importante o cálculo e simulação da caixa antes da compra do alto-falante.Senão você comprará um alto falante de 500W, mas que irá poder funcionar apenas com 100W para não destruir o cone por excesso de excursão.

Em música existe um parâmetro conhecido como dinâmica (ref: 3). Isto é a diferença entre o som mais “fraco” que toca em uma música e o mais “forte”. Qualquer aparelho em volume médio deve conseguir reproduzi-los todos. Vejamos o exemplo de uma típica musica de rock. Se tomarmos somente a variação dinâmica entre o volume médio normal no decorrer da música e os momentos de pico, encontraremos uma variação de 12dB, isto chama-se fator de crista (ref: 6). Agora vejamos, se o sujeito estiver ouvindo em um volume onde o desenvolvimento normal da música consome 2W do sistema. Quando em uma passagem mais forte da música, como um grito do vocalista ou uma base de guitarra onde atinja 12dB acima do nível médio, veja qual a potência necessária para reproduzi-lo:

 

Formula para calculo de protencia em audio

 

 

Veja que não é todo aparelho que fornece esta potência. Imagine que você estivesse tocando para uma multidão, onde seu sistema já desenvolvia em volume médio de 50W. Se calcular vai ver que necessitaria de 750W nas passagens mais fortes!! Ou ainda, se imagine ouvindo música clássica, onde o fator de crista pode chegar a 30dB.

 

forma de onda no osciloscópio

 

Quando a potência requerida é maior que a do amplificador, a onda é ceifada e ocorre distorção por saturação do equipamento. A onda perde seu formato, se torna quase quadrada e perde suas informações de timbre. Veja na fig. Acima, a onda ainda dentro dos limites do amplificador e a que excede a potência max. Por aí percebemos que alta potência em um sistema funciona como uma reserva de energia e não para escutar em volume máximo. Exceto se o controle de volume do aparelho já fora projetado pensando isso. A potência PMPO tinha a intenção inicial de especificar a capacidade que certos aparelhos tinham de fornecer alta potência nestes momentos de maior dinâmica, mas como não houve padronização, não serve de comparação hoje.

Este capítulo é parte do curso “Como Projetar Caixas de Som”. clique aqui para ver o curso completo